Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Biblioteca Escolar do Agrupamento de Escolas de Mora

"Ler é sonhar pela mão de outrem." Fernando Pessoa

Biblioteca Escolar do Agrupamento de Escolas de Mora

"Ler é sonhar pela mão de outrem." Fernando Pessoa

Boato da Primavera, de Carlos Drummond de Andrade

PB Mora, 25.03.21

Chegou a primavera? Que me contas!
Não reparei. Pois afinal de contas
nem uma flor a mais no meu jardim,
que aliás não existe, mas enfim
essa ideia de flor é tão teimosa,
que no asfalto costuma abrir a rosa
e põe na cuca menos jardinília
um jasmineiro verso de Cecília.
Como sabes, então, que ela está aí?
Foi notícia que trouxe um colibri
ou saiu em manchete no jornal?
Que boato mais bacana, mais genial,
esse da primavera? Então eu topo,
e no verso e na prosa, eis que galopo,
saio gritando a todos: Venham ver
a alma de tudo, verde, florescer!
Mesmo o que não tem alma? Pois é claro.
Na hora de mentir, meu São Genaro,
é preferível a mentira boa,
que o santo, lá no céu, rindo, perdoa,
e cria uma verdade provisória,
macia, mansa, meiga, meritória.
Olha tudo mudado: o passarinho
na careca do velho faz seu ninho.
O velho vira moço e na paquera
ele próprio é sinal de primavera.
Como beijam os brotos mais gostoso
ao pé do monumento de Barroso!
E todos se namoram. Tudo é amor
no Meier e na Rua do Ouvidor,
no Country, no boteco, Lapa e Urca,
à moda veneziana e à moda turca.
Os hippies, os quadrados, os reaças,
os festivos de esquerda, os boas-praças,
o mau-caráter (bom neste setembro)
e tanta gente mais que nem me lembro,
saem de primavera, e a vida é prímula
a tecnicolizar de cada rímula.
(Achaste a rima rica? Bem mais rico
é quem possui de doido-em-flor um tico.)
Já se entendem contrários, já se anula
o que antes era ódio na medula.
O gato beija o rato; o elefante
dança fora do circo, e é mais galante
entre homens e bichos e mulheres
que indagam positivos malmequeres.
E prima, é primavera. Pelo espaço,
o tempo nos vai dando aquele abraço.
   E aqui termino, que termina o fato
   surgido, azul, da terra do boato.

 

Concurso Ser Escritor é Cool

PB Mora, 22.03.21

(No âmbito do concurso Ser Escritor é Cool fica aqui o texto da aluna Ema Ramalhão do 7.º ano. 2.º Desafio - Não tenho nada para fazer! E agora?)

Não tenho nada para fazer! E agora?

O trabalho está enviado e agora já não tenho nada para fazer. E se pensar no seguinte? Vou ligar ao Pedro.

- Sim, Ema?

- Olá, Pedro!

- Aconteceu alguma coisa?

- Bem, eu já enviei o último trabalho para a biblioteca e estou sem imaginação para o próximo desafio.

- Qual é o assunto do próximo desafio?

- É sobre não termos nada para fazer.

- Ema, estou na sala dos alunos a terminar um jogo. Vem cá ter para conversarmos.

Depois de ter falado com o Pedro surgiram algumas ideias.

Fui buscar o meu tablete comecei a escrever...

Nada melhor para fazer quando temos tempo livre! Nem sempre temos imaginação, muito menos quando estamos num teste de português e só faltam vinte minutos para acabar a aula. Ficamos nervosos, mas mesmo assim temos que escrever.

Quando não tenho nada para fazer fico com a mesma sensação. Há que começar! Então pego numa folha e parto para a aventura. Escrevo vários tipos de textos, tais como contos ...bom e porque não criar uma bela história encantada? E depois lê-la às pessoas?

Por vezes escrevo histórias de terror, apesar de não gostar muito, mas é uma forma de ultrapassar o medo.

Narrativas onde relato acontecimentos imaginários, passados em tempos longínquos, são as que mais gosto de escrever. Encho-as de drama e isso entusiasma-me!

Finalmente, as sugestões que te dou sobre o que podes fazer quando não tens nada para fazer, é leres um livro ou escrever, até pode ser o teu diário... Quando entrares no livro, vai até onde as personagens te aconselham a ir.

Quando pegares na folha, deixa voar a tua imaginação! Espero que tenhas gostado da minha sugestão.

Mora, 27 de novembro de 2020

Ema Cristina Romão Ramalhão, 7ºA, nº4

Pág. 1/3